Se essa guerra acabar, me diga: com quem você vai lutar?

Eu sei, você vai dizer que me avisou.

Mas não adiantou, não é? Esse seu sorriso é perigosamente fatal. Rapazinho, você tem um jeito tão seu de ser que quando me dei conta, já tava na sua.

Você com aquela jaqueta de couro, o cabelo jogado pro lado e a fumaça do seu cigarro preenchendo o céu de estrelas já apagadas. Eu devia saber. Eu sei, você vai dizer que me avisou.

Não deu outra.

Eu dormi pensando em você e acordei pensando em você e cá estou eu pensando em você. O café do meu lado já esfriou. Aliás, tô aqui, na cafeteria que sempre íamos, na Hadock Lobo. Será que você vem aqui sozinho, como eu, pra lembrar de como era? Será que a nostalgia chega pra você como chega pra mim? Vou lhe dizer: ela chega sorrateira, eu nem percebo, e daí quando me dou conta, já estou ouvindo aquela nossa música de quando ficávamos separados por conta de alguma briguinha boba que no dia seguinte já teria sido esquecida.

Ah, bem… Não. Não era assim com a gente, né? A primeira vez que brigamos eu achei que seria o fim. Ficamos sem nos falar durante uns dias e eu fiquei igual um cachorro carente indo atrás de seu dono.

É um saco, mas eu gostava da ideia de pertencer a você. E eu sei que essa ideia te assusta. Você, rapaz de boa índole, é do mundo, não é? Você sempre foi e sempre será. A liberdade te atrai enquanto me assusta. Me apavora pensar que não tenho pra quem correr quando estou triste. Que não tenho quem abraçar quando estou com frio. Que não tenho sua mão pequena pra segurar quando estou no cinema. Ah, que cinema que nada. A última vez que fui ao cinema, foi com você.

Dói. Porque nada disso é real. Não me preenche. Não me esvazia. Não me mata. Não me faz mal. Não me faz bem. Não me faz nada. É um meio termo constante do qual quero desesperadamente que se torne algo maior. Preciso da dor, da raiva, do amor e do sentir falta. Preciso que você me mate aos poucos toda vez que a gente brigar e que me faça ir atrás de você rastejando com as poucas forças que vão me restar. E quero que você me encha, me supra, me sopre, me exploda de felicidade quando eu finalmente te alcançar. Estou querendo morrer para que você possa me fazer viver. Tô lhe entregando essa responsabilidade, veja bem, porque sei que você é capaz, sei do mal e sei que pode fazer bem. Por favor, por favor, por favor, me mate. Me deixa chorar e sofrer e pelo amor de Deus, me abandone. Me machuque, me maltrate, me faça muito mal. Maldito coração, que porra quero de você? Quero que sangre, se parta em um milhão de pequenos pedaços e se espalhe por todos os lugares que estive com esse rapazinho do qual tanto falo. Quero me vestir de preto, quero não pentear o cabelo e quero que café seja minha água. Quero, literalmente, nadar nas minhas lágrimas. Quero que você assista de longe o meu sofrimento e dê um sinal, um único sinal, para que eu volte atrás de você. Me aceite de volta, por favor.

Sem você posso morrer.

Vou te tocar, subir meus dedos por seus braços lentamente e te olhar com os olhos meio fechados e vermelhos. Vou te beijar devagar e minha língua vai invadir sua boca quase com desespero.

Vou te envolver nos meus braços e beijar sua nuca, seus ombros e te despir. Fique nu. Ficamos nus. E é isso. Te beijo, te aperto, te envolvo em mim. Vou me bordar em você. Você será meu. Eu serei você.

Por favor, faça amor comigo. Faça amor comigo. Me deixe amar você como quero. Se entregue pra mim, te confie a mim. Vou te guardar bem, rapazinho, veja: só quero o seu bem. Quero te fazer bem também.

Tudo será lindo. Cortinas, tapete, a cama, lençóis brancos e você descansando sobre meu peito. Você já vai ter adormecido e mesmo assim continuarei falando o quanto lhe quero bem. Vou te cuidar sempre e pra sempre. Não te faltará amor, nem carinho ou afeto, e quando você me quiser bruto, porque eu sei que você às vezes quer, eu serei. Serei pra você o que você vier a precisar. Quando você se move em cima de mim, todo o poder em mim se move também. Quando você me abre, todo o poder se transforma. Me sinto real. E amo você.

E morro de medo. Por favor, acorde, tô angustiado. Você está sonhando? Você está ai ou está aqui comigo? Porra! Que sensação de ser incapaz. Incapaz de prosseguir sem você? Quer me deixar? Me deixe, me deixe mesmo, saiba que me matar só vai me fazer bem. A história vai se repetir e vamos prosseguir assim até que se esgote. Que se esgote tudo, fogo, terra, mar e ar. Porque é assim que se constrói o “grande amor da vida”. Serei seu e você será meu. E se tudo acabar, a história vai se repetir. Não vou te deixar ir embora. Eu vi o fim do mundo várias vezes e quando acordei, estava tudo bem.

Mas pelo amor de Deus, me mate direito! Me deixe sangrando no chão e faça uma dança na poça vermelha. Aproveite e faça um caminho de pegadas me guiando até você.

Faça tudo e por favor, me faça ficar sem você.

No final do caminho, só o que me resta é correr atrás de você, bae.

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