Onde estão as pessoas dispostas?

Com o avanço da internet, tudo ficou muito mais fácil e acessível. Tudo o que você quiser está a apenas um simples clique, uma simples frase na barra de pesquisa, e isso vai desde as coisas mais simples, como pizza, filmes, músicas até cotação de moeda, idiomas e até mesmo relacionamentos. Com isso, aparentemente entramos na era em que tudo que temos é consumido rapidamente e boa parte de tudo torna-se descartável.

Hoje em dia é muito fácil conhecer alguém e muito mais fácil ainda é dispensar esse alguém. Isso é assustador. É fácil você procurar o que te atrai, o que te serve, o que te supre. Você passa o dedo para o lado, você chama para uma conversa, você da um jóinha, e de repente, puf, a mágica acontece. Vocês já podem chamar isso de relacionamento sério.

Eu lembro de alguns anos atrás, de quando tive meu primeiro namorado e de como tudo era mais difícil. Não tínhamos whatsapp, nós mandávamos sms um para o outro e no final do dia, pasme!, fazíamos uma ligação. Nos víamos com pouca frequência, mas quando nos víamos, era o momento. Nada mais importava. Talvez porque tudo era muito mais difícil naquela época, acredito que dávamos muito mais valor. O abraço, o beijo, o toque. Anos se passaram, eu conheci várias outras pessoas, a tecnologia avançou e tudo mudou.

Quando uma pessoa não nos serve mais, basta mandar um textinho ou um áudio dizendo que acabou. Basta apagar o contato, bloquear a pessoa, e vamos lá, vida-que-segue, tem 7 bilhões de pessoas no mundo, it’s not like I’m gonna be lonely forever, right? Afinal, podemos conhecer outra pessoa em questão de cliques. Posso ver se ela me serve, se vai agregar em algo. Senão, passo para outra. E aí mora o erro: ninguém tenta mais. O sentimento que você sentia – sente – pela outra pessoa é facilmente descartado. Não há luta, não há querer, não existe o “tentar”, o “me desculpa”, o “fica comigo”, porque assim como veio, se vai. O orgulho fala mais, o “tanto faz” faz parte do vocabulário. Ninguém cuida mais. A gente clama amor, mas na primeira falha, a gente liga o foda-se. Não queremos passar a idéia de fraco, de que precisamos de outra pessoa, de que gostamos. Abrimos mão muito fácil. E assim a vida segue. Mas nos esquecemos que, antes de mais nada, estamos lidando com um igual. Um ser-humano, que também tem sentimentos, que também se machuca, que se sente vulnerável. E adivinha? Estamos lidando com alguém pelo qual nos apaixonamos, alguém que dissemos que iríamos estar sempre juntos. Estamos lidando com o nosso para sempre. Estamos lidando com o beijo, com o abraço, com a saudade, com o desejo, com o dormir de conchinha, com o fazer surpresas, com o carinho, com aquele dia na praça, com aquele dia no cinema vendo um filme horrível, com aquela soneca no ombro, com o cuidado, com o querer. Estamos lidando com quem gostamos. Não podemos – e nem devemos – abrir mão assim tão fácil. A conquista não pode parar nunca! O cuidado não pode. Enquanto houver sentimento, não há porque abrir mão.

 

So come over now and talk me down.

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